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Vereadores pedem inclusão em pauta de projeto que altera regras da eleição de diretores escolares

No documento, os parlamentares argumentam que a votação do projeto é urgente, pois a não adequação da legislação municipal às normas do novo Fundeb e às condicionalidades do VAAR (Valor Anual por Aluno Resultado) pode acarretar novas perdas de recursos federais para o Município.


calendar_today Data 3 de novembro de 2025
sort Fonte Assessoria de Imprensa da Câmara de Marialva
tag Crédito da notícia Ariádiny Rinaldi
home Crédito da imagem Ariádiny Rinaldi


Um requerimento protocolado no fim da última semana solicita que o Projeto de Lei Complementar nº 11/2025, que modifica as regras para eleição de diretores das escolas e CMEIs de Marialva, seja votado na sessão ordinária desta segunda-feira (3 de novembro).

O pedido, formalizado por meio do Requerimento nº 98/2025, é assinado pelos vereadores Toninho, Grazi Scaliante, Paulinho, Miro e Marcos Fragal, e foi endereçado ao presidente do Legislativo, Rafael Poly.

No documento, os parlamentares argumentam que a votação do projeto é urgente, pois a não adequação da legislação municipal às normas do novo Fundeb e às condicionalidades do VAAR (Valor Anual por Aluno Resultado) pode acarretar novas perdas de recursos federais para o Município. Eles pedem, ainda, que caso o projeto não possa ser incluído na pauta desta segunda-feira, seja convocada uma sessão extraordinária amanhã (04/11), às 18h30, para apreciação da matéria.

O que o projeto propõe

Encaminhado pelo Executivo no início de setembro, o PLC nº 11/2025 altera a Lei Complementar nº 345/2020, que regula a escolha de diretores escolares na rede municipal.
O texto propõe três mudanças principais:

- Reduz de dois para um ano o tempo mínimo de efetivo exercício no mesmo estabelecimento para que um professor possa se candidatar à direção;

- Garante que mandatos iniciados fora do período padrão sejam considerados completos para contagem;

- Permite que, na ausência de candidatos internos, professores de outras unidades da rede municipal possam concorrer ao cargo.

De acordo com a justificativa do Executivo, as alterações são necessárias para adequar a legislação local à Lei Federal nº 14.113/2020 e à Resolução CIF nº 15/2025, que exigem critérios técnicos e democráticos para a escolha de gestores escolares como condição para o recebimento dos recursos do VAAR — complementação financeira da União ao Fundeb.

Debates

Durante a tramitação, o projeto gerou pedidos de esclarecimento por parte dos vereadores Nathália Simmer e Rafael Poly, que solicitaram documentos comprovando a perda de recursos e atas de reuniões dos conselhos de Educação e do Magistério. 

Entre os principais questionamentos estão:

- A falta de comprovação documental de que Marialva perdeu efetivamente R$ 1,2 milhão do VAAR, valor citado pelo Executivo como justificativa para a urgência;

- A ausência das atas das reuniões do Conselho Municipal de Educação e do Conselho do Magistério que teriam discutido as mudanças propostas;

- O motivo da proibição de uma “segunda chamada” para inscrição de candidatos dentro da própria unidade escolar, medida vista por alguns vereadores como restritiva à autonomia das escolas;

- A Falta de parecer técnico detalhado que comprove que a não aprovação imediata da lei colocaria em risco novos repasses federais.

Na sessão ordinária do dia 27/11, a presidente do Conselho Municipal de Educação, Gislaine Regina Camargo Gama, a secretaria de educação do Municipio, Rosi Maria Sena, e o Secretário de Assuntos Municipais da APP Sindicato, Lucas Renan Romagnolo Andrade, usaram a tribuna para prestar esclarecimentos sobre o projeto. 

Nomeações diretas

Um dos principais pontos defendidos pelo Executivo é a redução das nomeações diretas de diretores escolares, que segundo a prefeita Flávia Cheroni, prejudicam o município nas avaliações do Fundeb e podem comprometer o recebimento do VAAR.

A legislação federal exige que a maioria dos cargos de gestão escolar seja provida por eleição com participação da comunidade ou por critérios técnicos de mérito e desempenho.
Em Marialva, parte das unidades acabou sendo conduzida por indicação do Executivo nos últimos anos, devido à falta de candidatos habilitados ou ao não atingimento de quórum nas votações — situação que, segundo o governo, levou à perda de cerca de R$ 1,2 milhão em repasses federais em 2024.

De acordo com o Executivo, o projeto busca reduzir as situações de vacância e de indicação política, ampliando o número de servidores aptos a concorrer aos cargos de direção e garantindo que a escolha se mantenha dentro das regras de gestão democrática previstas pela legislação nacional.